SANTO ANTÔNIO DOS ANJOS E A LAGUNA

31 de maio de 2012

ImagemFernando de Bulhões, nasceu a 15 de agosto de 1195, em Lisboa, filho de Dom Martinho de Bulhões e de Dona Maria Teresa Taveira.

         Desde criança já demonstrava seu caráter e sua vocação para participar dos serviços para caridade. Jovem, inconformado com a vida fútil que levava, ingressou na Ordem dos Cônegos Regulares, em Lisboa. \os amigos sempre o visitavam não permitindo momentos de reflexão e fé.  Para ter um ambiente de calma, para meditação e oração, transfere-se para Coimbra, completou seus estudos e foi ordenado sacerdote, da Ordem Agostiniana. Entusiasmado pelo martírio de cinco freis franciscanos, na África, resolve mudar de Ordem. Com a licença concedida, troca de ordem religiosa, agora na Ordem Franciscana é Frei Antônio, juntou-se aos frades franciscanos de Portugal, enviados para Marrocos, no trabalho apostólico de conversão dos infiéis.

         Partiu Frei Antônio para sua missão, mas, uma enfermidade fez com que voltasse a sua pátria, porém  o navio em que viajava , foi atingido por uma grande tempestade que o levou para a Itália, aportando na Sicília.

         Frei Antônio revela-se um grande orador, conhecedor das Sagradas Escrituras e da Teologia, de tal maneira que a pregação tornou-se seu principal atributo vocacional. Em suas viagens pela Itália e França, seus sermões foram marcantes ao defender a vida exemplar e ao condenar as heresias, o que lhe deu o título de “Martelo dos Hereges”.

         Suas pregações foram contínuas até a sua morte, o que ocorreu no dia 13 de junho de 1231, então com 36 anos. Era tão grande a sua fama de pregador caridoso e milagroso, que o fez o “Santo” mais rápido da história da Igreja Católica, sabedoras de sua morte, as crianças saíram gritando pelas ruas, de Pádua “morreu o Santo Antônio !”. Sepultado em Pádua, onde foi construída uma Basílica, transformada em grande centro de peregrinação, sua canonização ocorreu dez meses depois de sua morte, em 1232. Tornou-se o mais popular dos santos da Igreja Católica.

        Com o Tratado de Tordesilhas, em 1494, o último ponto das terras portuguesas, ao sul, era na localização de 28º46’54” de latitude sul e 48º46’56” de longitude W.GR. Talvez não se tornasse tão importante, se não fosse o seu porto, por onde era embarcada a carne e o peixe salgado e seco, para abastecimento dos grandes centros, além de um ponto estratégico, para as expedições para o sul.

         Assim, em 1676, o Bandeirante Vicentista Domingos de Brito Peixoto, além de trazer seus familiares, jesuítas franciscanos, homens de armas, famílias e escravos, para tomar posse e colonizar as terras da “Laguna de los Patos”.

         O dia e mês de sua chegada, são desconhecidos, mas, segundo o grandes historiador, Dr. Oswaldo Rodrigues Cabral, poderíamos arriscar em 02 de outubro, dia dedicado “aos Anjos da Guarda”, Brito Peixoto foge da tradição em dedicar a fundação, ao santo do dia, dedica a freguesia ao seu santo de devoção, “Santo Antônio”, e, acrescenta o do santo do dia “dos Anjos”.

Sendo assim, Laguna torna-se a única cidade no mundo, onde Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa, tem um nome diferente “Santo Antônio dos Anjos”, criando personalidade própria através da imagem diferenciada em devoção, desde 1796, quando foi entronizada.

Aqui chegando, a primeira preocupação de Brito Peixoto, foi mandar construir uma capela de “pau à pique”, onde colocou em devoção, a pequena imagem de Santo Antônio, que trouxera consigo. (esta imagem encontra-se em nossa igreja, é usada nas procissões motorizadas e também substitui a imagem maior, quando esta é tirada do altar, para as festas.)

ImagemLogo depois, sem data conhecida, provavelmente na primeira metade do século XVIII, foi achada nas praias da Laguna, uma caixa de madeira, que aberta, trazia uma imagem de roca* de Santo Antônio, *(as partes visíveis, cabeça, mãos e pés, são esculpidas em massa de gesso; o corpo uma armação de madeira, vestido de pano), que foi colocada em devoção, foi chamada por um tempo de Santo Antônio das Areias, pela forma que foi achado. ( desta imagem, temos a cabeça, que esta na guarda da família Bessa, e, o Menino Jesus, que faz parte do acervo sacro, da Igreja Matriz.)

Com o passar do tempo, a Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos, fundada em 1753, sente a necessidade de se ter uma nova imagem, aquela já estava muito desgastada pela exposição e até pelo tempo que esteve exposta ao mar. Em 1792, foi encomendada nova imagem, para isso, foi mandado um tronco de madeira da região, para ser entalhado por um santeiro na Bahia. Essa imagem é entronizada na igreja matriz, em 1796, sendo a mesma que temos, até hoje, em nossa devoção.

Segundo dona Nail Ulysséa, registradora das histórias de nossa matriz, o escultor era um artista original, modesto e alegre; cria uma imagem de olhar alegre e lábios sorrindo (coisa nunca vista em qualquer outra imagem de santo), vestes ornadas em dourado, não assinando a obra e nem um sinal que o identificasse. Diferente das imagens conhecidas de Santo Antônio, de semblante humilde e vestes franciscanas. Essa imagem tão diferente e, tendo em Laguna, um nome também diferente, o Santo Antônio dos Anjos cria  personalidade própria.

São inúmeras as histórias dos milagres atribuídos ao Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa, no mundo inteiro.

Santo Antônio dos Anjos, na devoção do povo lagunense, não poderia ser menor, milagres, favores e graças alcançadas, pedidos concedidos, objetos achados, casamentos arrumados. Viagens cuidadas, porque o lagunense não ia ao mar e hoje não vai para a BR, sem antes pedir para que Santo Antônio o acompanhe. É tão grande a devoção e a intimidade para com o Santo, que o lagunense já o chama de “Toninho”ou “Tonico” e muitas vezes, não sente a necessidade de um momento de reflexão, de uma oração para pedir uma graça, ele simplesmente pede ou exige, como se faz para um pai, um irmão ou para um grande amigo.

 

Imagem

Das Festas

 Em 1676, chegou para colonizar Laguna, Brito Peixoto, devoto de Santo Antônio, trouxe a primeira imagem do santo e dedicou a fundação ao seu santo de devoção.

A partir daí, como é tradicional, já se deveria rezar, pelo menos, a ¨Trezena¨ de Sto. Antônio.

Em 1753 é fundada a Irmandade do Santíssimo Sacramento e Santo Antônio dos Anjos

O primeiro registro de um ¨juiz¨ de uma festa de Sto. Antônio é do século XIX , dona Páscoa Gonçalves Ribeiro (não se tem a data)

Em junho de 1858, segundo registros de Robert Ave-Lallemant (Viagens pelas Províncias de Sta. Catarina, Paraná e São Paulo – edição da Universidade de São Paulo), era rezada a trezena já com a orquestração.

No principio do século XX, era rezada uma missa solene (cantada) e procissão, logo apos um leilão das prendas recolhidas no comércio.

Depois de 1912, começam as quermesses ou como foram chamadas por tradição,  “ as barraquinhas “

Com a evasão das gerações, para centro maiores em busca de melhores oportunidades, a Festa de Santo Antônio, torna-se um dos motivo do retorna a terra, em visita aos parentes, rever amigos e fortalecer sua devoção ao seu querido santo de devoção

Marega

O Bandeirante Vicentista DOMINGOS DE BRITO PEIXOTO

28 de maio de 2012

Natural da Capitania de São Vicente. Filho homônimo do pai Domingos de Brito Peixoto, esse   natural do Minho – Portugal, e de d. Sebastiana da Silva, natural de Santos.

Casou com d. Ana Guerra do Prado, com quem teve Francisco de Brito Peixoto, seu primogênito;   Sebastião de Brito Guerra e Maria de Brito e Silva, que casou com o Capitão-Mor Diogo Pinto do Rego, governador de São Vicente e São Paulo.

Na região ao sul, Laguna era o último ponto das terras portuguesas, determinado pelo Meridiano de Tordesilhas. Era habitada pelos índios “patos”, denominação dada aos índios “carijós”, tribo que povoava o litoral, às margens dos rios e lagoas piscosas. Área de uma riqueza impar, solo propício à agricultura, a abundância da caça e da pesca, era defendida valentemente pelos bravos e temíveis índios, mas, de contato fácil, o que os tornavam procurados pelos escravagistas.

Dizer da data exata da chegada das primeiras expedições seria divagar por uma série interminável de cogitações, baseadas nas mais diversas notas da história da navegação. O fato é que já no princípio dos anos de 1500, expedições, que por aqui passadas, denominaram a “região dos patos” e a denominação “Laguna” é encontrada nos registros da expedição da frota de D. Pedro de Mendoza, em 1534, veio parar na “laguna de los patos”. (notas de José Boiteux).

Um complexo lagunar abundante de pescado, fáceis de pegar, onde se abasteciam os negociantes, salgando e secando, para suprir os centros de maior procura. Área para a reunião do gado trazido dos “campos de vacaria” ou “sertões de Coritiba”, na época região que ia da hoje Curitiba, Lages até o Rio Grande.

Um porto calmo com uma barra segura, protegida por morros nos dois lados, o último com estas características, ao sul. Fontes de água potável, tudo isto fez da “Laguna de los patos”, um ponto de grande importância e interesse na sua ocupação.

Não havendo nela, qualquer estabelecimento com moradores permanentes que garantissem a posse, o Rei, em Carta Régia, convida o Capitão Domingos de Brito Peixoto, homem experimentado em trabalho de descobertas, a explorar os sertões do sul da Capitania.

Organizou uma embarcação tripulada com índios, escravos, homens brancos e armas, partiu do porto de Santos, mas, atingido por fortes ventos, foi jogado para o norte e perdeu o navio com quase toda a sua gente.

Não desanimado, tomado pelo sentimento da ocupação da terra, às suas custas, Domingos de Brito Peixoto, organiza uma segunda expedição, por terra e por mar, levando seus filhos Francisco de Brito Peixoto e Sebastião de Brito Guerra, mais de 10 homens brancos, 50 escravos, armas, munições, mantimentos e ferramentas.

Levaram quatro meses por terra, até o destino, onde já estava o navio; concretizava-se a ocupação da terra, era fundada a póvoa que Domingos de Brito Peixoto dedica ao seu santo de devoção.

Poderia não ter feito mais nada em sua vida, mesmo assim, ainda o consideraríamos o homem mais importante para a Laguna, ele nos trouxe “Santo Antônio dos Anjos”.

Se, o ano já é uma polêmica, mês e dia então nem se discute, são desconhecidos, porém, a única pista seria chegarmos a uma explicação do porque “Santo Antônio dos Anjos”, único lugar no mundo que o Santo Antônio de Pádua ou de Lisboa (nasceu em Portugal e morreu na Itália, cada um puxa a brasa para sua sardinha), tem um nome diferente.

Chegando na Laguna no dia 02 de outubro, dia “dos Anjos”(Anjos Gabriel, Rafael e Miguel), Domingos de Brito Peixoto inteligentemente, não fugiu à tradição de oferecer a fundação ao santo do dia, só acrescentou antes o nome do santo de sua devoção (ouvi esta hipótese, pessoalmente do grande historiador Dr. Oswaldo Rodrigues Cabral). Fato é que veio com ele a primeira imagem de Santo Antônio, sendo colocada na capela de pau-a-pique, para devoção, devoção esta que chegou ao grau de intimidade entre o lagunense e o santo, como se tem para com um pai, um irmão ou para com um grande e melhor amigo. Santo Antônio dos Anjos é carinhosamente, o “Toninho”.

O intrépido vicentista, não se conteve em estar fixado neste último ponto do território luso, coube-lhe a vontade de expandir o território, para isso, saiu em expedição aos campos de vacaria, quando de um assalto indígena, morre seu filho mais moço Sebastião de Brito Guerra, juntamente com vários escravos e homens de armas.

Depois da fundação, a permanência de Domingos de Brito Peixoto, na Laguna, é muito questionada; teria ele voltado para Santos e recebido atribuições de novas missões e voltado para Laguna e daqui para terras do sul, já que não havia demarcação exata da linha de Tordesilhas.

Não poderia ser de outra forma, se os dados de sua vida foram controversos, os de sua morte também são questionáveis.

Domingos de Brito Peixoto teria morrido na primeira década do século XVIII, de morte natural, com aproximadamente oitenta anos. Porém não se chega a uma definição do local, Laguna, São Vicente ou Santos.

Ficou na Laguna o filho Francisco de Brito Peixoto, que continuaria a povoação, dedicando-lhe suas posses e até sua vida.

Em honra a seu pai, constrói uma Igreja Matriz para a freguesia em 1696, mas, para o provimento do vigário, conta-nos o Visconde de São Leopoldo – “Com os sentimentos religiosos de que era dotado, foram seus primeiros cuidados erigir templo a Deus com a invocação de Santo Antônio dos Anjos, no sítio em que hoje vemos colocada a Vila, por muitos anos correu por sua conta, o dízimo do pároco e manutenção dos moradores, que ia atraindo, até arranjarem-se com próprias lavouras”.

Em 1721, Francisco de Brito Peixoto recebia a nomeação para o posto de Capitão-Mor da vila da Laguna, com jurisdição sobre a povoação do Desterro e os campos do sul. Era o prêmio ao velho vicentista, que, a suas custas, financiara as expedições que levaram para o oeste o meridiano de Tordesilhas, que exploraram e conquistaram as terras do Rio Grande de São Pedro para a coroa portuguesa.

Foram várias as incursões aos campos do Rio Grande, Francisco de Brito Peixoto viu os prejuízos destruírem sua fortuna, embora velho, desta vez, quis ele mesmo estar à frente de sua gente, tentar o reconhecimento de seus serviços e ser ressarcido de alguma forma, pela coroa.

Em 1725, no dia da festa do Rosário dos Pretos, coincidia com a eleição dos vereadores, chegaram os moradores da vila e estavam reunidos na Casa do Conselho, quando resolveram impedir que Francisco de Brito Peixoto, chefiasse a expedição, com a alegação de que ficariam sem governo. Nada o removia do intuito.

Então todos os moradores da vila, levaram-lhe a última imposição: “se ele teimasse em partir, prenderiam a ferros, se necessário fosse, para que não seguisse”, o velho capitão convencido, ficou.

A expedição foi comandada por seu genro João de Magalhães e chegou até onde é hoje a cidade de São José do Norte.

De Francisco de Brito Peixoto, não se tem registro de que tenha se casado, deixou, porém, grande descendência, ligados todos à Vila da Laguna.

Ana Guerra, casada com Sebastião Pacheco; Catarina, casada com José Pinto Bandeira, Oficial da Câmara da Laguna, pais de José e Francisco Pinto Bandeira, avós de Rafael Pinto Bandeira.

Maria, casada com Agostinho Guterrez, vereador em Laguna em 1723.

Ana Brito, casada com João de Magalhães, foi vereador na Laguna, substituiu o sogro no comando da expedição ao Rio Grande; foi homenageado com o nome ligado ao bairro do Magalhães.

Sebastião Francisco Peixoto, Francisco de Brito, Vitor de Brito e Domingos Leite Peixoto, descendentes de Francisco de Brito Peixoto, dos quais pouco se sabe.

A avenida denominada Brito Peixoto é a mínima homenagem que se presta, à família mais importante da Laguna, para a qual o Brasil muito deve.

No escudo das armas da Laguna, no segundo terço, estão a “Torre” dos Brito, fundadores do núcleo lagunense, Domingos de Brito Peixoto e seus filhos Francisco de Brito Peixoto e Sebastião de Brito Guerra; A “Cruz” florenciana dos Magalhães, genro do fundador e chefe da expedição para exploração das terras do Rio Grande; e a “Bandeira” dos Bandeiras, lembrando a atuação de Rafael Pinto Bandeira, para a incorporação do Rio Grande ao Brasil.

E é deles a expressão no listel: “AO SUL LEVEI O BRASIL”

Marega

BIBLIOGRAFIA:_______________________________________________

Publicação Comemorativa do Centenário da Comarca – Ruben Ulysséa

Santo Antônio dos Anjos da Laguna

Dr. Oswaldo Rodrigues Cabral

Registro das Historias Orais da Laguna

Antônio Carlos Marega

Algumas Palavras…

27 de maio de 2012

 

    De tanto ler e ouvir, resolvi escrever o que sei, colaborando para que a história não se perca ou mude, é uma grande preocupação minha sobre a verdade das coisas da Laguna e dos Lagunense. Mas, nunca tive a mínima vontade de publica-las; até porque, contando pessoalmente, conheci muitas pessoas e fiz grandes amizades.

    Então, como  meu amigo  José CUSTÓDIO Rosa Filho,  artista cartunista, autor do livro em quadrinhos sobre a heroína Anita Garibaldi,  “Anita Garibaldi o nascimento de uma heroína” , criou este blog para que eu colocasse as minhas histórias e meus escritos sobre as coisas da Laguna.   Além de ilustrá-lo com minha caricatura e escrever algumas referências.

    E o grande amigo Valmir Guedes Junior,  cronista jornalístico e autor dos livros “Porto da Laguna a luta de um povo traído” e “A ultima viagem do Malteza S”, em seu novo blog (Blog do Valmir), conta de meus planos “bloguísticos”, ficando eu assim, na obrigação de dar início em editar neste blog, meus escritos, imediatamente.

Escrevo sobre o que ouvi, escrevo e transcrevo sobre aquilo que li, muitas vezes na íntegra, pois não colocaria mais emoção do que aquele que viveu o momento. 

Espero que gostem e sirvam para as suas necessidades, estando eu, a disposição para conversar sobre os assuntos.

Começo por aquele que deu início a tudo, a fundação da Laguna e seu fundador o bandeirante vicentista Domingos de Brito Paixoto, uma família que se dedicou e viveu pela Laguna e pela expansão do território brasileiro para o sul

Marega

início

15 de janeiro de 2010

post de início.